Viajar para Minas Gerais é sempre muito prazeiroso. O sabor do pão de queijo, as belezas naturais de suas serras, o valor histórico de tantas localidades e, principalmente, a receptividade das pessoas são algumas das delícias de Minas. Mas, em minha última estada nas Gerais, uma realidade chamou atenção e me deixou bastante preocupado: a degradação que vem sofrendo o Rio das Velhas, principal afluente do Velho Chico.
Em seus 801 KM de extensão, desde a nascente na cachoeira das Andorinhas (Ouro Preto) até a foz em Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma, em muitos trechos, a água fétida, a grande quantidade de garrafas pets lançada in natura, os surubins e curimatãs mortos, o desmatamento e o assoreamento sinalizam que o Rio das Velhas não tem sido tratado com o cuidado que merece (fotos ao lado).
Ao chegar na capital mineira, próximo ao anel rodoviário, fiquei horrorizado com a quantidade de colchões, camas, pneus e toda espécie de detrito que se pode imaginar, formando verdadeiros redemoinhos de degradação. Além disso, não consegui entender por qual motivo um trator depositava lixo a 100 metros das margens e cobria de terra. O que é isso, aterro sanitário às margens do rio? No currículo do prefeito Fernando Pimentel, apontado como o melhor gestor dentre as capitais brasileiras, não cabe tamanho descaso com o meio ambiente, embora saibamos que essa “mácula” não tenha um único pai.
E eis que a matéria é veiculada no Jornal Nacional, mas, descaradamente, aparece um biólogo pra dizer nas entrelinhas que a culpa é do calor e da falta de chuva. Agora bateram todos os recordes: cientistas descobrem que a culpa da degradação da natureza é da própria natureza. Fala sério!
Felizmente, ainda é possível encontrar belas paisagens, corredeiras e água limpa. A natureza luta para sobreviver. E todos nós sabemos que essa vitória só será possível em longo prazo, em 10 ou 15 anos, com uma parceria séria entre o setor público, a iniciativa privada e as comunidades ribeirinhas. Mas, ela é possível, e é nesse princípio que devem ser permeadas as ações: há solução, ainda há muita vida no rio. Sabemos que existem muitas pessoas já envolvidas com o problema, algumas medidas precisam ser adotadas com máxima urgência. Apesar da meta 2010, que busca “navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte”, o governador Aécio Neves poderia instaurar, de imediato, uma comissão que fiscalize de barco as indústrias instaladas às margens do rio e, dessa forma, impedir o lançamento de dejetos químicos na água, o que aumenta a degradação a cada dia.
Autoridades, empresários, dirigentes de ONGs e Oscips, comunidades das margens se articulem. Povo de Minas, não deixe o Rio das Velhas morrer.
José Esmeraldo de Freitas - Turista, ex-morador e profundo admirador de Minas Gerais.
Em seus 801 KM de extensão, desde a nascente na cachoeira das Andorinhas (Ouro Preto) até a foz em Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma, em muitos trechos, a água fétida, a grande quantidade de garrafas pets lançada in natura, os surubins e curimatãs mortos, o desmatamento e o assoreamento sinalizam que o Rio das Velhas não tem sido tratado com o cuidado que merece (fotos ao lado).
Ao chegar na capital mineira, próximo ao anel rodoviário, fiquei horrorizado com a quantidade de colchões, camas, pneus e toda espécie de detrito que se pode imaginar, formando verdadeiros redemoinhos de degradação. Além disso, não consegui entender por qual motivo um trator depositava lixo a 100 metros das margens e cobria de terra. O que é isso, aterro sanitário às margens do rio? No currículo do prefeito Fernando Pimentel, apontado como o melhor gestor dentre as capitais brasileiras, não cabe tamanho descaso com o meio ambiente, embora saibamos que essa “mácula” não tenha um único pai.
E eis que a matéria é veiculada no Jornal Nacional, mas, descaradamente, aparece um biólogo pra dizer nas entrelinhas que a culpa é do calor e da falta de chuva. Agora bateram todos os recordes: cientistas descobrem que a culpa da degradação da natureza é da própria natureza. Fala sério!
Felizmente, ainda é possível encontrar belas paisagens, corredeiras e água limpa. A natureza luta para sobreviver. E todos nós sabemos que essa vitória só será possível em longo prazo, em 10 ou 15 anos, com uma parceria séria entre o setor público, a iniciativa privada e as comunidades ribeirinhas. Mas, ela é possível, e é nesse princípio que devem ser permeadas as ações: há solução, ainda há muita vida no rio. Sabemos que existem muitas pessoas já envolvidas com o problema, algumas medidas precisam ser adotadas com máxima urgência. Apesar da meta 2010, que busca “navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte”, o governador Aécio Neves poderia instaurar, de imediato, uma comissão que fiscalize de barco as indústrias instaladas às margens do rio e, dessa forma, impedir o lançamento de dejetos químicos na água, o que aumenta a degradação a cada dia.
Autoridades, empresários, dirigentes de ONGs e Oscips, comunidades das margens se articulem. Povo de Minas, não deixe o Rio das Velhas morrer.
José Esmeraldo de Freitas - Turista, ex-morador e profundo admirador de Minas Gerais.
