quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Rio das Velhas


Viajar para Minas Gerais é sempre muito prazeiroso. O sabor do pão de queijo, as belezas naturais de suas serras, o valor histórico de tantas localidades e, principalmente, a receptividade das pessoas são algumas das delícias de Minas. Mas, em minha última estada nas Gerais, uma realidade chamou atenção e me deixou bastante preocupado: a degradação que vem sofrendo o Rio das Velhas, principal afluente do Velho Chico.

Em seus 801 KM de extensão, desde a nascente na cachoeira das Andorinhas (Ouro Preto) até a foz em Barra do Guaicuí, município de Várzea da Palma, em muitos trechos, a água fétida, a grande quantidade de garrafas pets lançada in natura, os surubins e curimatãs mortos, o desmatamento e o assoreamento sinalizam que o Rio das Velhas não tem sido tratado com o cuidado que merece (fotos ao lado).

Ao chegar na capital mineira, próximo ao anel rodoviário, fiquei horrorizado com a quantidade de colchões, camas, pneus e toda espécie de detrito que se pode imaginar, formando verdadeiros redemoinhos de degradação. Além disso, não consegui entender por qual motivo um trator depositava lixo a 100 metros das margens e cobria de terra. O que é isso, aterro sanitário às margens do rio? No currículo do prefeito Fernando Pimentel, apontado como o melhor gestor dentre as capitais brasileiras, não cabe tamanho descaso com o meio ambiente, embora saibamos que essa “mácula” não tenha um único pai.

E eis que a matéria é veiculada no Jornal Nacional, mas, descaradamente, aparece um biólogo pra dizer nas entrelinhas que a culpa é do calor e da falta de chuva. Agora bateram todos os recordes: cientistas descobrem que a culpa da degradação da natureza é da própria natureza. Fala sério!

Felizmente, ainda é possível encontrar belas paisagens, corredeiras e água limpa. A natureza luta para sobreviver. E todos nós sabemos que essa vitória só será possível em longo prazo, em 10 ou 15 anos, com uma parceria séria entre o setor público, a iniciativa privada e as comunidades ribeirinhas. Mas, ela é possível, e é nesse princípio que devem ser permeadas as ações: há solução, ainda há muita vida no rio. Sabemos que existem muitas pessoas já envolvidas com o problema, algumas medidas precisam ser adotadas com máxima urgência. Apesar da meta 2010, que busca “navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte”, o governador Aécio Neves poderia instaurar, de imediato, uma comissão que fiscalize de barco as indústrias instaladas às margens do rio e, dessa forma, impedir o lançamento de dejetos químicos na água, o que aumenta a degradação a cada dia.

Autoridades, empresários, dirigentes de ONGs e Oscips, comunidades das margens se articulem. Povo de Minas, não deixe o Rio das Velhas morrer.

José Esmeraldo de Freitas - Turista, ex-morador e profundo admirador de Minas Gerais.

José Esmeraldo de Freitas


José Esmeraldo de Freitas. Formado em Engenharia Civil, pela Universidade federal do Espírito Santo, com especialização em Engenharia de Segurança, atuei como professor da Escola Técnica Federal por seis anos.

Engenheiro de carreira da Prefeitura de Vitória, ocupei os cargos de prefeitinho, diretor e secretário de Obras. Também atuei como membro efetivo da Comissão de Licitação, chefe de Gabinete e no Departamento de Projetos.

Exerci mandatos de vereador na Câmara Municipal de Vitória de 1983 a 1998, tendo sido o mais votado nas eleições nas três últimas eleições que disputei para vereador. Os principais projetos apresentados foram a Planta padrão de edificações que beneficia famílias de baixa renda e o passe livre para idosos no sistema de transportes da cidade. Em 1998 fui o deputado estadual mais votado em Vitória e, em 2002, um dos mais votados em todo o Estado.

Atualmente, ocupo o cargo de diretor-geral do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Espírito Santo (Ipem-ES), autarquia estadual, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento, que atua como órgão delegado do Inmetro.

A ética e o compromisso de um trabalho sério são meus princípios basilares. Em todos esses anos ligado à política, jamais tive meu nome envolvido em denúncias, escãndalos ou esquemas fraudulentos.